Cinco poemas de Edelson Nagues
Estio Quando a palavra gera na boca [sobre o solo rachado da língua] o cascalho do silêncio, as engrenagens de um tempo de estio estrangulam metáforas e risos entredentes. Urbe A cidade, espessa [sístole e diástole]: entropia urgente. Motores e corpos latejam desejos no fumo dos becos. Há ranger de ferros, de ossos e de dentes na junção dos díspares. Um olhar caótico depara o concreto que empareda o medo. As palavras-pássaros jamais se capturam nas gaiolas-mentes. E bocas vorazes engolem silêncios e pastéis de vento. Frêmitos no sexo: um vômito cíclico na pétala aberta. Átimos de dor reprisam-se em seus eternos fragmentos. E nenhuma placa aplaca o desnorte da turba que sofre. A cidade-esfinge: máquina que mói putas e poetas. Caudal Singro o rio multifário das verdades ocultas, das hordas dissimuladas desses homens absurdos...