Cinco poemas de Mailson Furtado Viana
no teatro tudo é presente 700 anos a 10 metros e qual o quê velocidade da luz piada. piada. a cortina a guilhotinar o tempo a vida toda a caber naquele oco de mundo e nós a 10 metros de tudo por trás num bar num quarto de apartamento numa parada de ônibus ou mesmo assistindo a gente estamos nem coubemos na vista deve ser coxia camarim qualquer canto sem luz qualquer canto sem nome a vida ali toda cabe não se sabe do tempo (nem se vê, parece) não se sabe muita coisa Sobre o último dia D benjamin naquele setembro de 45 (aos 15) preocupava-se somente com o que se daria da venda da safra da roça daquele inverno não sabia quando sairia de casa se iria chover no outro ano nem mesmo que iria ao rio de janeiro cinco anos depois de relance deve ter ouvido sobre o fim da tal da guerra coisa que nunca o impediu de planejar a plantação do outro ano (que já chegava) ...