Seis poemas de Carla Andrade
Asterisco Está em casa há décadas sombras dos pregadores no varal são passarinhos que a respiram. O futuro chegou no jornal de ontem ou da década passada. Não sabe se teve filhos eles não a visitam. Até a bailarina vai morrer, mas não ela. É feita de plissês com antenas. Não sabe desligar a tevê (não escuta) Tem suas próprias antenas. Sabe que o futuro já chegou nada mais existirá apenas pássaros de madeira que a respiram. Há anos atrofiou o canto como os pregadores no varal. Quer um carinho nas antenas. Quer baratas, asas. Porém, foram extintas. Se por um descuido do Asterisco, ela morrer os olhos devem ficar abertos, não fechem. Mesmo que sua última visão seja a grande caixa: (os quadrados com pessoas nas caixas pequenas sem varandas) Os apartamentos sem baratas. Sem baratas e pessoas quase extintas em caixas. Leitura refinada do acaso Já é tarde para estancar os segundos e tatuar a s...