Cinco poemas de José Antônio Cavalcanti
Exercício aéreo Sete serpentes de celofane flutuam sob a pele azul-pólvora do céu em queda. As linhas que as sustentam são minhas veias aéreas. Até que o destino abra o zíper de intempéries e despeje, sete pipas voarão alto na tarde. Açúcar Às vezes me dá um branco; algo na memória se apaga. Grão ou gota de doçura extrema alarga-se na ponta da língua. Aproveito então a fuga milagrosa do acre e o desgaste de áspera gastronomia para abrir o lacre do mel da poesia. Anoitecência A boca da noite engole o fogo do dia. Todo gole de luz que escapa é poesia. Anarquipélago Submersas e móveis ilhas isoladas sob um sol submarino ensinam naufrágios a bússolas no solstício de dezembro. Não há caravelas nem argonautas, apenas náufragos em águas estrangeiras. Loucas e líquidas latitudes, mil mares inavegáveis. Cinco ilhas desconhecidas: e...