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Quatro poemas de Carol Sanches

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“amor” quem sabe se as flores  pudessem se aguar teriam na chuva  instantes de consolo  regadas de descanso mas as flores têm sede de quem as cuide pela raiz lhes chega  o ranger das torneiras  pelos canos  o tremular do solo  pelas gotas  o cuidado, ao transbordar  diante da mínima pressão  dos dedos na mangueira a água é justa: toma a forma do corpo  que a sorve “das dores que me pertencem” depois de meses sem escrever um poema se assemelha  a uma cesárea:  uma data foi marcada uma mulher não teve  as dores sonhadas disseram ser louca por querer algo tão estranho aos fluxos do desejo disseram à mulher para se apressar agendar rapidamente o dia  em que seu filho nasceria certo, vejamos, amanhã às 10h esta criança pode entrar em sofrimento fetal disseram enquanto vistas grossas  cobriam um pran...

Três poemas de Carol Sanches

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o deleite é manhã no interior. um aspecto leitoso abraça a atmosfera  com contornos semelhantes aos dias de praia: uma pincelada pastel  divide a abóbada celeste em alto e baixo; a névoa se alonga  frente ao sol, - ele, embora ceda por ora  segue firme no impulso dos primeiros feixes; o ruído, ao fundo soa marola quase não se nota; de repente, contemplar  tamanha beleza com olhos bem abertos deixa de ser agressivo isso,  e no entanto, meus olhos ardem. o fio todos nós, seres  enquanto vivos estamos partes  da mesma etimologia da mesma massa quente  de uma imensa bala de coco  subterrânea presa ao chão pelas extremidades:  pés patas antenas caudas raízes mãos barbatanas vírus bactérias ácaros asas mínimas matérias (mesmo os pássaros sempre voltam ao chão) na rua, um homem  p...