Quatro poemas de Carol Sanches
“amor” quem sabe se as flores pudessem se aguar teriam na chuva instantes de consolo regadas de descanso mas as flores têm sede de quem as cuide pela raiz lhes chega o ranger das torneiras pelos canos o tremular do solo pelas gotas o cuidado, ao transbordar diante da mínima pressão dos dedos na mangueira a água é justa: toma a forma do corpo que a sorve “das dores que me pertencem” depois de meses sem escrever um poema se assemelha a uma cesárea: uma data foi marcada uma mulher não teve as dores sonhadas disseram ser louca por querer algo tão estranho aos fluxos do desejo disseram à mulher para se apressar agendar rapidamente o dia em que seu filho nasceria certo, vejamos, amanhã às 10h esta criança pode entrar em sofrimento fetal disseram enquanto vistas grossas cobriam um pran...