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Cinco poemas de Angel Cabeza

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Chiado Encosto meus ouvidos no teu busto e ouço algo de Mozart: pulsante desespero de cordas. * Há qualquer coisa de carnal num violino, essa analogia de contornos: a frondosa silhueta feminal, o arco ereto, seivoso, as cordas queixosas pela tensão de melodias, o afago da crina nos cabelos de aço… Dois corpos se rompendo numa partida repleta de água e som. Afogados Amar é emergir com os pulmões transbordados d’água. Não há como fugir dos peixes que trafegam pelas maçãs, do anzol que rasga as linhas de nossas quiromancias. Assinamos tratados sem olhar as miudezas, e então sufocamos rituais de rotina para abrir altos e pesados portões de ferro. O amor é como um navio fantasma, enferrujado e barulhento. Amar é afogar-se à beira do torso, é afundar num mangue ilusivo como caranguejos habituados ao escuro lamaçal — o que sabem da claridade é apenas a cegueira. Tango Quebramo-nos...