Cinco poemas de Dudu Galisa
LABIRINTO a fuga é noturna e a cada passo há um labirinto. o riso ínfimo camufla teu grito no sonho infindo. há um lapso que insta ávido e do outro lado há um chão movediço. REPOUSO o dia se recolhe na urgência dos mortais, nos seus afazeres repetitivos. à noite, à hora morta, invade mansamente a solidão daqueles que divagam sem destino. A CHEGADA Aqueles que me adotaram na madrugada fria de 1974, às vésperas do Natal. Aqueles que me fizeram sala sob olhares estupefatos, interromperam suas récitas. Aqueles que entornaram o gosto amargo do vinho e murmuraram impropérios. Aqueles que não diziam nada, apenas enroscavam fumaça dos velhos charutos cubanos. Aquele que, em sua introspecção, tocava J. S. Bach e o dedilhar no piano me confundia. O RUÍDO DAS ILHAS para Salgado Maranhão O ruído das ilhas sangra o estranho crepúsculo qu...