Quatro poemas de Ingrid Morandian, ilustrados por Deborah Dornellas
Por oito horas há oito horas meu corpo dardeja, meus dedos buscam suas coxas, intermitentes dos lábios sublinho com dedos o líquido tão morno a boca muda, úmida de néctar os meus seios, os seus seios oito horas de um temporal sem palavras sem ventos e no amar de posições conjugadas e reentrâncias as mãos se fecham no gozo Desacertos reticentes, os sóis que aportam em minha janela não são mais os mesmos a cidade emudeceu diante do seu rosto você envelheceu junto com as cartas e quem ainda as carrega? encastelado no 5º andar da Barra Funda o seu aceno se perde entre as árvores pernas poemas centenas de fendas conduzem à Paulista tão minha na colisão de tantos desejos tranquei a boca mapeada de calçadas Mulheres da Cordilheira dos Andes eram três figuras três figuras femininas que caminhavam unidas na noite fria de setembro...