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Quatro poemas de Ingrid Morandian, ilustrados por Deborah Dornellas

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Por oito horas há oito horas meu corpo dardeja, meus dedos buscam suas coxas, intermitentes dos lábios sublinho com dedos o líquido tão morno a boca muda, úmida de néctar os meus seios, os seus seios oito horas de um temporal sem palavras sem ventos e no amar de posições conjugadas e reentrâncias as mãos se fecham no gozo Desacertos reticentes, os sóis que aportam em minha janela não são mais os mesmos a cidade emudeceu diante do seu rosto você envelheceu  junto com as cartas e quem ainda as carrega? encastelado no 5º andar da Barra Funda o seu aceno se perde entre as árvores pernas poemas centenas de fendas conduzem à Paulista tão minha na colisão de tantos desejos tranquei a boca mapeada de calçadas Mulheres da Cordilheira dos Andes eram três figuras três figuras femininas que caminhavam unidas na noite fria de setembro...

Um conto de Deborah Dornellas

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A CONQUISTA DO MUNDO Na casa da Mirtes, às quartas, tinha sempre uma receita diferente com galinha: assada, frita, ao molho pardo, ensopada com batatas, salpicão, além da canja com as sobras do almoço. Toda terça cedo, a Tata, cozinheira da casa, trazia uma galinha viva, segurando pelos pés, de cabeça para baixo, e a guardava no tanque, amarrada à torneira, para matar e depenar depois. A Mirtes ficava espiando de uma distância segura, na ponta dos pés, assustada e curiosa. Escutava o cró-có có e o bater inútil das asas, presas no quadrado de pedra. Chegava perto de jeito nenhum. Quando, no meio da tarde, a Tata torcia e cortava o pescoço, depois jogava água fervente no corpo da galinha, para remover as penas, subia pelos azulejos da cozinha um cheiro de morte que fazia a Mirtes engulhar. Ela evitava voltar à cozinha e não abria mais a geladeira o resto do dia, para não dar com aquela ave morta, oca e sem cabeça, marinando dentro da bacia coberta com um...