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Cinco poemas de Iara Maria Carvalho

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Deslembranças   Um século depois, foi-se o sítio. Memórias de um século, eu não tenho: nem de minha vida. O que as fotografias antigas me dizem  são da minha avó e eu, mulheres de pouca estatura, mas sorriso  vasto, eu carregando um matinho sem graça na mão.  Redes sem varandas na sala, sonhei noite  passada que essa era a lembrança  que eu deveria ter. Os copos de alumínio  sobre o pote, o cata-vento, sempre  um cachorro alegre  preso numa árvore que um dia já chorou. Os primos, a vida, as pedras do Penedo da minha  infância, rocha insondável e telúrica, impossível  de sumir por trinta  -dinheiros. Venderam o sítio,  mas as chinelas dos meus avós ainda se arrastam por lá. Apanha   Do paiol recém- amanhecido, ia e vinha a apanhadora de algodão com seu avental florido.   A bravura  dos capuchos em suas mãos de linho era inerte e limpa: sonhava espe...

Cinco poemas de Iara Maria Carvalho

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MÃO DUPLA onde atravess- a sensação? OUT-DOR chega um tempo em que a vida precisa ser em voz alta. ALEXANDRE Era amarelo-queimado o cabelo da minha companheira de quarto.   Educadíssima em seus delírios.   Tomava de oito a nove banhos diários e ainda temia que camadas e mais  camadas de solidão ficassem estampadas em seus braços. Era devotada,  tinha uma alegria parelhada com a dor.  A moça amarela-queimada receava estirar-se sobre o chão do hospital dos loucos,  era um medo de não voltar.  Por isso, quase não dormia.  Quando acontecia, chamava por Alexandre: não sei se o imperador ou um antigo amor.  Alexandre passou a ser meu idílio também e agora é o nome que faltava em meus versos.  Alexandre amarelo, pisoteia meus algozes.  Dormir agora é tão claro. AINDA QUE SÓ ...