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Seis poemas de Luiz Carlos Quirino

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Era aquele tempo em que as mães sacrificavam seus filhos à noite não podíamos dormir por medo de sermos devorados a arte continuava morta deus, desaparecido e era difícil caminhar pelas ruas tomadas por roseiras sem cortar os pés ou avistar um cometa daí a magnitude do fracasso transfigurava-se em tímida alegria Era aquele tempo em que as mães educavam seus filhos à noite começávamos a colher (em meio aos cervos degolados   na larga entrada da porta) os seus intestinos inverossímil estalar das uvas flambadas pela poeira em encorpados gestos se reproduzia o enigma alguma virtude – desamparo equilibrávamos na finíssima linha Era aquele tempo em que os filhos educavam-se no sacrifício à noite mais morriam que dormiam junto aos cervos devorados ao meio uma arte de largar-se à sorte entre deuses e assassinos e era inverossímil caminhar em meio às uvas e às roseiras encorpados pelos cortes nos pés ...