Cinco poemas de Mariana Ianelli
CORTEJO Um império caiu com a sua prata, O seu espírito desacelerado por detrás da soberba. Os domínios caíram e as altas catedrais absolutas, Seus mosaicos seculares, Os heróis nomeados nos duelos, Legendas da vitalidade. O mestre ruiu, finalmente. Fechadas as casas, os adjetivos. Calamos um privilégio e nos sentimos bêbados, Mas não nos levantaremos amanhã Contra a morte de nada. As crianças se oferecem ao feroz da nova geração, Descansam nos ferros retorcidos E nunca temem a nossa vergonha infeliz. Do zero subimos paredes, Reconstituímos os átomos impassíveis, Velhos fatos desordenados, O que a lei nos excluiu. Calamos o insolúvel e nos sentimos menos, Mas o poder do abandono reeduca as nossas crianças. TEMPO DE PERDER Algo nos falta E já não sabemos o quê. Vestimo-nos Com a nossa melhor camisa, Calçamos sapatos novos, Ainda podemos correr Como se tivéssemos Vinte anos a menos. Mas est...