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Cinco poemas de Mariana Ianelli

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CORTEJO Um império caiu com a sua prata, O seu espírito desacelerado por detrás da soberba. Os domínios caíram e as altas catedrais absolutas, Seus mosaicos seculares, Os heróis nomeados nos duelos, Legendas da vitalidade. O mestre ruiu, finalmente. Fechadas as casas, os adjetivos. Calamos um privilégio e nos sentimos bêbados, Mas não nos levantaremos amanhã Contra a morte de nada. As crianças se oferecem ao feroz da nova geração, Descansam nos ferros retorcidos E nunca temem a nossa vergonha infeliz. Do zero subimos paredes, Reconstituímos os átomos impassíveis, Velhos fatos desordenados, O que a lei nos excluiu. Calamos o insolúvel e nos sentimos menos, Mas o poder do abandono reeduca as nossas crianças. TEMPO DE PERDER Algo nos falta E já não sabemos o quê. Vestimo-nos Com a nossa melhor camisa, Calçamos sapatos novos, Ainda podemos correr Como se tivéssemos Vinte anos a menos. Mas est...

Seis poemas de Mariana Ianelli (para Yolanda Ianelli Fernandez)

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Vem! Amanhã começa o mundo... A primeira luz. O primeiro alento. O primeiro rosto. O que os outros Vão dizer? As mil palavras de sempre Talvez também algumas novas Mas as palavras, meu amor, as palavras Ainda nem se formaram: só amanhã Começa o mundo. A primeira pele. A primeira lua. O primeiro susto. O homem que disse, uma vez, sabia: Nascer é mesmo muito comprido. Nascer, meu amor, não termina nunca. Outra criança acorda na criança, ela caminha Ela fala e sua língua não é a dos homens Língua de ave, airada, língua que raia, dúctil A alegria ainda fácil entre os dedos é uma concha É uma fruta é uma chave é uma folha é uma flauta. Esse é o jardim das loucuras consentidas - Uma menina nua corre debaixo das nuvens Ela grita no vento para ir com o vento Até as tulipas-do-gabão cheias de chuva - Estamos na época das orações naturais. ...