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Seis poemas de Helena Arruda

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[entre as horas]   o amarelo do quadro de van gogh brilhou na menina dos meus olhos embaçados de tristeza e eu reluzi inteira para a vida que estava inerte num canto da parede, refletida na imagem da santa que me olhava com seus olhos de piedade e mansidão.   o amarelo do quadro de van gogh me queimou inteira na fogueira dos desejos de mudança e eu vi no fundo do branco dos seus olhos, um vale azul profundo, rio onde deságuam possibilidades de cura, onde me lavo, me esfrego para sair o cheiro da tinta da melancolia que me colore todas as tardes com a cinza das horas prenunciando o fim do dia, da vida, que se abrevia.             [dos poemas suicidas]     hoje, caminhando ao sol, pensei nos dias que não vivi, nas horas intermináveis das ruas das cidades, nos alvoroços dos carros, nas gritarias dos vendedores ambulantes.   hoje, caminhando pelas ruas...