Três poemas de Duan Kissonde
YANGUI Exu é rocha primeva chave de ignição que encruza qualquer chama erupção inaugural que nutre o ventre bílis negra da noite com sua pedra-ferro banhada de sangue. MILANCOLIA A milonga eu trago dos pampas bílis negra que não me abandona Um biajazo de lança, um banzo de carne e sal Montado num sopapo, como num zaino ferino, eu batuco nas feridas das pelotas uma tarde febril de um santo domingo qualquer. SIBILANTE Não é cobra e nem não-cobra Não é homem e nem mulher É um arco-íris De coisas novas Arrobobói Oxumaré Duan Kissonde (1993) é poeta e graduando do curso de História na UFRGS, é bolsista de iniciação científica CNPq no projeto Trajetória da Educação das Relações Étnico-Raciais no Rio Grande do Sul: Ensino de História e Recepção das Leis 10.639/03 e 11.645/08. Também é pesquisador autodidata das territorialidades negras em Porto Alegr...