Quatro poemas de Carlos Orfeu
guarda-chuva morcego de asas dobradas guarda nuvens despedaçadas goteja com desespero réstia de relâmpago fiapos de águas o guarda-chuva repousa na semi- luz da sala baldes os baldes esses soldados com o deserto na boca a água é tão volátil quanto o desejo de tê-la absoluta no fundo do cloro na brisa diurna da varanda eles espreitam o equilíbrio da libélula caramujo caramujo amadurece no fóssil da folha jarros abrigam em si outros mundos líquidos olhar a si mesmo através da película das coisas há infinitas moradas nos mínimos gestos paredes paredes também possuem feridas descascados mundos enrodilhados em teias sêmens de aranhas sobre afetos envelhecidos caligrafia de vozes no limo do tempo cicatrizes re-abertas como nódoas de existir paredes também possuem feridas quando o sol toca su...