Cinco poemas de Marcelo Labes
é como chorar o choro dos vencedores nos pódios em que nunca estive nos degraus que desisti de subir-descer pois quanto mais esforço quanto mais fundo quanto mais alta a queda maior o tombo - olhos olhos olhos bocas bocas bocas - de repente, um sonho tirado sabe-se lá de onde - de repente uma luz vinda não se sabe de onde para apontar o caminho [é por ali] e enviar áudios que deveriam ser conversas para os amores dizendo que está tudo bem - mesmo a voz embargada como está mesmo o nariz fungando como está - porque está tudo bem tão bem como jamais esteve tão bem como talvez nunca mais esteja (talvez amanhã, talvez daqui a uma hora tudo desmorone como a lei diz que tem que ser para as coisas que se erguem) [é por ali] uma placa advertindo isso há dez anos - onde estaria, estaríamos se houvesse placas dizendo o caminho anunciando tombos advertindo os meninos que fomos onde estaríamos se - quem sabe deus - estendesse sua mão e dissesse vem ...