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Quatro poemas de Noélia Ribeiro

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ELIOTEMPO O tempo futuro de Eliot cinge passado e presente. Não pressupõe a espera, esse monstro devorador das noites e das intuições. O futuro aprisiona a todos como se fôssemos ladrões da hora encarcerada na caixa de aviamentos. Que desenho faremos com a linha obscura que atravessa as veias do calendário? Pagaremos para ver a costura  do tempo na malha do nada? O futuro mostra-se muito caro. FOME atirou as moedas do almoço (pela volta de seu homem) no abastado e mágico poço e foi trabalhar com fome I CHING EM 2020 Pelo olho mágico, vejo o teto encostar na cabeça dos velhos em genuflexão; o cansaço de nada vingar-se dos jovens que violam as saídas de emergência. Avizinho-me do sonho e parto, com as três moedas do I Ching, no ímpeto de desvendar o hexagrama em tuas costas. A raposa atravessa a grande água. Os corpos celestes movimentam-se. Pelo olho mágico, tu me vês atrás da porta. O mundo sem sentimento perdoa nosso inviolável abraço antigo. As moedas ficaram no poço. O desejo, c...

Cinco poemas de Noélia Ribeiro

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PAIXÃO PELA PAIXÃO O apaixonado entra no mar sozinho, cego ao objeto, que, esquecido entre as pedras, espreita-o. A onda incita o prazer. A espuma ameniza o desassossego. A suposta metade, deitada na pedra, sucumbe ao calor, enquanto ele brinca na água como um garoto. Ao seu coração entusiasta o espelho cristalino basta. Imiscível, a paixão prescinde do outro. GUERNICA Há um quê de desumano em meu abraço Não percebe? Possuo destroços em lugar de órgãos infortúnios de um tempo sem pecado o traço de Picasso na face e nas extremidades pequenas avarias Creia: houvesse algo entre nós, desmoronaria DESJARDIM Ele: malmequeres Ela: bem-te-vis ASTRONAUTA                            (a meu pai) O olhar atento da menina à imagem do astronauta flutuante pisando ...