Quatro poemas de Noélia Ribeiro
ELIOTEMPO O tempo futuro de Eliot cinge passado e presente. Não pressupõe a espera, esse monstro devorador das noites e das intuições. O futuro aprisiona a todos como se fôssemos ladrões da hora encarcerada na caixa de aviamentos. Que desenho faremos com a linha obscura que atravessa as veias do calendário? Pagaremos para ver a costura do tempo na malha do nada? O futuro mostra-se muito caro. FOME atirou as moedas do almoço (pela volta de seu homem) no abastado e mágico poço e foi trabalhar com fome I CHING EM 2020 Pelo olho mágico, vejo o teto encostar na cabeça dos velhos em genuflexão; o cansaço de nada vingar-se dos jovens que violam as saídas de emergência. Avizinho-me do sonho e parto, com as três moedas do I Ching, no ímpeto de desvendar o hexagrama em tuas costas. A raposa atravessa a grande água. Os corpos celestes movimentam-se. Pelo olho mágico, tu me vês atrás da porta. O mundo sem sentimento perdoa nosso inviolável abraço antigo. As moedas ficaram no poço. O desejo, c...