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Seis poemas de Maria João Cantinho

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Tulcea Tulcea, que agora se afunda nos braços da noite, deixa atrás de si o rumor quieto das águas e a oscilação calma dos barcos, numa despedida do verão. Deixo que a noite invada os rostos e que a escuridão engula as vozes, que cantam a nostalgia, sem nome. Adormecerei neste lugar, em que uma voz antiga me desperta, adormecerei, e pouco a pouco, o mistério do tempo desvelará as ocultas formas da noite, num breve murmúrio do infinito. Em breve cantarão as aves no porto esperando-te, enquanto deslizam velozes, madrugada adentro. Luminescendo o dia. Discípulos da madrugada Que a sombra desça e nos tome no seu mistério, em que tudo é passagem e limiar, presença furtiva e incandescente. O rio flui e nele se submerge o teu rosto, a tua voz, talvez a memória de outros rostos e de outras vozes cruzando-se na dobra do tempo aparentando-se na escuridão, talvez não sejam senão destroços de um an...