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Cinco poemas de Carvalho Junior

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gato-do-mato não se domestica um poeta. o poeta é um gato-do-mato perseguindo a cauda do vento selvagem. araruta somos feitos das mesmas fomes dos nossos pais, das mesmas lenhas que os guardaram do frio súbito das noites caseadeiras de exílios. de vez em quando, ouço de longe a voz da lágrima do meu pai e de minha mãe. um quintal de ararutas nasce dentro do chão cansado dos meus olhos.         a semente única lanço a semente única nas fendas bruscas do solo e, sob um sol intenso, lembro do teu riso de melancia da roça. esqueço de tudo e, deitado à sombra da casa de palha, bebo o líquido da cabaça onírica. quando desperto, com o corpo ferido pelo gatilho da arapuca do eterno, testemunho o efêmero das estações e amarro os cadarços roídos dos sapatos do lagarto da alma. o silêncio do amor quando acaba ...