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Quatro poemas de Henrique Duarte Neto

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Quadra ultrarromântica Ah, a memória que tenho de nós dois Sobrevive em fragmentos, flashes. Amor? Partilha? Enlevo? Paixão? Não! Incêndio da carne chamado tesão. Elegia pelo que não foi, mas poderia ter sido Os poemas recônditos na alma Que jamais chegaram a ser lidos. Os poetas que foram perdidos Para as atividades cotidianas. Os amores avassaladores Rompidos pelas convenções sociais. Os óvulos não fecundados Por pura questão de acaso Ou de probabilidade. Talvez seja eu o único a lamentar Por esta realidade não-efetivada. Por enxergar na chuva somente A continuação de minhas lágrimas. E por perceber que em cada Belo momento da vida Outros tantos se perderam, Na virtualidade do tempo, Gerando um vazio insuportável. Abismos: poema niilista Sinto em mim um buraco n’ alma. Uma desmesura que não encontra Desafogo, e que me faz sucumbir. Profeta cotidiano do tédio e da dor, ...