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Cinco poemas de Alexandre Pilati

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[Noctâmbulo] a palma da mão é silenciosa e longínqua. a paisagem dorme em nossos olhos independentemente. não está parada a forma rígida que ampara o amargo olhar. a paisagem é um ângulo de guinada apenas calor. as árvores estão em fogo e não dormem jamais. e não morrem jamais as árvores em fogo. a palma da mão tem a agonia da ação, da febre. o fogo enlouquece e solta sua vida. as árvores são rochas, estátuas, de sono. as árvores dormem dentro da paisagem e não sofrem. a palma da mão não salvará as árvores e sofre. as árvores queimam sonâmbulas na paisagem de fogo. ardem, aceitam, não fogem, dormem as árvores: sonham rigorosas com a liberdade que sabem parir de dentro das cinzas. a palma da mão, em sua ânsia, é pura plástica; inútil geometria da vigília – coisa que se queima distante do fogo. [Réquiem pequeno] à janela impassível arrepio olho o jardim feito o vidro os olhos bem abertos ...