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Cinco poemas de Luiza Cantanhêde

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A CABAÇA Sou essa terra de chão batido Esse sertão da língua de cinza A fome alada, o Carcará Sou esse deserto de poeiras longínquas Sou água na cabaça, o arame Farpado, cercando o latifúndio De sol e estrada Sou esse fruto no avesso da Terra plantada. DA VOZ Tão rústica é a minha palavra Não tem a fineza daqueles que Passeiam pela boca da erudição A minha palavra é a da roça Da enxada circundando a Poeira ao pé das cinzas Meu vocábulo de pedra D izendo “desvão “ AJUDA-ME A ENCONTRAR TEU GRITO Ajuda-me a encontrar o teu grito Tua luz apagada A vertigem de tua língua Inalcançável Ajuda-me a regar tua flor silvestre Nesta orla feita de sol e primavera Para mim, basta saber que me acolhes Em teu voo migratório. Quantos caminhos Até encontrar em teus olhos Um vestígio de eternidade? Meus pés (trôpegos no tempo) Perdidos, para refazer o caminho. É...