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Um conto de Leonardo Almeida Filho

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O Capador   Pode perguntar por aí a quem quiser e vão lhe confirmar. Todo mundo dessas bandas conhecia o sujeito. Conhecia de vista, pois Zé Firmino era homem de poucas palavras, um bruto com pouca história. Pela profissão que tinha, e que todos comentavam ao pé da orelha, com medo, até que se mostrava muito, pois era sempre possível encontrá-lo no bar do Peixoto, na esquina da 11 de Setembro. Não estivesse por ali, era só bater na casa dele. Não tinha erro. Não se escondia de ninguém. Mas isso foi antes, bem antes de ele ganhar fama e se tornar lenda por estas bandas. Desapareceu, virou um fantasma que metia medo em todo mundo. Seu paradeiro tornou-se um mistério. O que se sabe é que ele levou muita gente para o outro lado. Era um cabra frio. Dois olhos gelados que quando grudavam na gente dava um arrepio ruim. E é curioso notar que ele até que não tinha a cara feia, era bem apessoado, imberbe, traços finos, quase femininos, o que aumentava ainda mais a curiosidade: de onde vi...

Seis poemas de Leonardo Almeida Filho

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O Desejo O desejo é algo assim como as saúvas que vêm numa marcha sempre certa pelo jardim antes tranquilo marchando, marcando o tempo sob uma noite escura e sem testemunhas num tiquetaquear de minúsculas patas barulhentas, decididas. O desejo é algo assim como as saúvas que, famintas, sempre vêm e passam, como a morte, uma-a-uma e sobem o tronco estático, uma-a-uma e cortam suas folhas, sem perdão, uma-a-uma e vão-se, enfim, uma-a-uma a outros verdes troncos, torná-los nada e nulos corroendo, corroendo, corroendo e eu, torto tronco triste olho para os meus galhos nus, desesperado, e lembro, uma a uma, as dores do corte das saúvas e perco, pelos dias, um a um, os meus pedaços. A serpente Eu era pequeno menor que a esperança que trago quando, numa tarde de sábado, meu pai acelerou o carro e avançou contra o animal indefeso Partiu a vértebra da serpente mas toda serpente, eu s...