Cinco poemas de Ines Lempek
Caleidoscópio A tempestade abre a janela. O mundo troca de roupa. Pedaços de paisagem lá fora caem um por um. Estilhaços de final de tarde escorrem pela trilha do tempo. A preta noite vem. No fundo do olho, um caleidoscópio. A alma agora veste a poeira lunar. Muito frio aqui dentro. Venha logo. No passar das horas Já é noite alta os sapatos largados na entrada da casa junto ao peso do dia no exigir dos tempos esfrega as mãos muitas vezes tentando lavar a alma antes de dormir. Matriz Vidas suspensas tempo indefinido ruas desertas corpos em alerta asas fechadas janelas abertas planos e desejos sonhos guardados em caixas de segredos estátuas de gesso nuas em vitrines vazias nem selfies nem purpurinas nem coelhinhos. Entre mundos Num fechar de olhos o mundo de dentro abre-se à tela de pensamentos às vezes em bandos enxames de abelhas pássaros em rev...