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Seis poemas de Alexandre Brandão

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Chuva de pedra Numa taça que não existe em um bar igualmente inexistente bebo o drinque concreto                         draconiano              seco puro: bebo o vento. Bebo e vento, suave e constante, empurrando essa chuva de pedra para o porto em que você não me espera.         Pássaro sírio Não com lentes de hortelã, meu pássaro sírio, nem com breves sílabas e um único gesto. Tampouco com o samba mudo ou com a arma de mira cega. Muito menos com a gafe ou com a manta de um vulcão insone. De agora em diante falo, meu pássaro sírio, sem a túnica da poesia ou da segunda intenção do silêncio. No dia em que sumi do espelho No dia em que sumi do espelho cavalos começaram a voar sem ...

Cinco poemas de Alexandre Brandão

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Direita e esquerda Ao sentar-me no muro da Urca, vi à minha direita um homem com um baita medo de uma abelha à esquerda um bebê segurava os próprios pés, esticava as pernas, comia e balbuciava sem a menor ideia do que seria o medo. Fascite Visto de longe sou um homem de cãs volumosas braços cruzados para trás — e dedos entrelaçados uma das pernas reta, a outra levemente dobrada um homem atento à dança colorida da água que jorra do chafariz. De perto, o rosto  guarda, quase sem motivo, um pouco de alegria e não esconde a dor que sobe dos pés. Poema em 3 X 4   Imagine, então, que o fotógrafo cego buscasse retratar não o que não via, mas o que nunca existiu para a fotografia: um pensamento de escuridão ou uma saudade do amarelo. A viagem de ida Enquanto eu dirigia pela estrada cheia de curvas  você disse: — tenho uma buceta. (Para ultrapassar o caminhão, prestava atenção nos carros que se aproximavam do nosso nos que vi...