Quatro poemas de José Carlos Vieira
Para Jacques Prévert a chuva esconde pássaros espanta cantos há anjos no ponto de ônibus todos molhados está ali em cima do disco do led zeppelin ao lado do incenso no colo de sheeva junto ao poema de cacaso ali! à direita do livro de jack london amassada e rota como a camisa de che iluminada feito vela de xangô em frente ao sorriso de leila diniz está ali minha vida inteira numa sala de apartamento alugado no final da asa norte carrego poemas como rochas peso bem pesado me arrasto em noites vãs páginas por páginas rabiscadas e sozinhas são só palavras efêmeras como um espanto ou saudade que insiste em ficar palavras bem pesadas chegam a entortar o corpo levo poemas como quem carrega um caixão na mochila... frio, corpo em silêncio passos pesados. do outro lado do planeta: minha casa José Carlos Vieira é poeta. Lançou o primeiro livro (em mim...