Cinco poemas de Roberta Tostes Daniel
O vento de Setembro bate nos beirais das casas meu corpo é um segmento confuso da paisagem. A garota loira atravessa a rua e eu a atravesso pelo lado. Quando ela me vê ao seu lado, observa-me em detalhes nada que me isole. O adolescente barbudo com pinta de árabe também flameja junto ao chão de cimento aguarda mais refugiados. Um animal exposto ao tempo. A tarde queima sem alarde. Chego ao meu prédio, as plantas chicoteiam o ar um princípio de abstração. Está prestes a anoitecer na selva que sou. Terrivelmente, a poesia se encontra em outro lugar. Desesperadamente, ouço música. E penso que seu corpo é uma alegria tão silente e que minha voz basta para tentar fazer daqui o meu lugar . Sigo uma antiga canção. Quando o poema está alegre, acredito na alegria. Não aceito, no entanto, mesmo do poema que viole meu corpo como uma ave desperdiçada, um bicho banido uma carne supurada, morta ainda assim, aberta. A luz de Iorranã ...