Cinco poemas de Rosana Piccolo
Ira possível rosto de um tigre nesse girassol do fogo, quando a noite é carroça de demônios e uma horda de rugidos povoa-me as veias queimo as mãos ao tocá-la (essa aparição das chamas) fera ou ânfora de cólera onde perco meus óculos Rua de comércio oblíqua talvez acalcada por sapatos baixos (quando manequins entopem vitrines às quintas e às sextas e todos os dias) ou a tenha colorido o riso do exu pendurado nos cabides a nos empurrar o mundo pela garganta Metropolitano rajadas egípcias, tantos e tantas na escada rolante (mais do que o número dos escritórios cortando cérebros em bifes) gafanhotos quase ansiosos, aglomerados, crepitantes, embaralhados na plataforma pisada o trem avança com olhos em brasa conduz ao inferno a todo minuto III * meias do medo finíssimas as árvores _________ o seu espelho língua tivesse verde seria ...