Cinco poemas de José Carlos Brandão
Meu tempo O soldado me apontou o fuzil e atirou. Os fuzis existem para atirar, os soldados existem para matar. Vivemos num campo cercado de arame farpado, vivemos num mundo em guerra sem trégua, estamos irrevogavelmente condenados ao extermínio. Restam de nós estranhas palavras nas paredes, não restarão as casas mas apenas as paredes e aquelas palavras que serão os nossos nomes impronunciáveis como fendas. Fomos condenados ao exílio em nossa própria terra. Crescem ervas daninhas entre as ruínas de nossas casas. Deus abaixe a sua mão cruel, Deus tenha piedade. Vivemos em um mundo em extinção, o sal salga o chão que pisamos e não conserva vida nenhuma. Este país tem vergonha da poesia A palavra chega sempre tarde demais se permanece apesar do fracasso ou por causa dele é a poesia. A mudez da poesia queima os olhos e a alma e voa como uma libélula em silêncio e pasmo. O poema fala do impossível quando se acabaram todas as ...