Dois poemas de Tarso de Melo
ÁGORA a moça de vestido sabe o senhor de terno também o menino de bicicleta sabe o vulto do motoboy também aquelas costas também sabem o cara ao telefone sabe os velhinhos do dominó sabem a vendedora de yakult também o barbudo de patinete sabe a moça de mochila azul também os bebês gêmeos sabem o cachorro do mendigo também o mendigo sabe, sempre soube as babás de branco sabem os seguranças de preto também o moleque de air jordan sabe a menina de fios roxos também o motorista do busão sabe os passageiros todos também e até o guarda talvez saiba quem vende frutas sabe quem vende sexo sabe quem vende carros sabe quem vende café sabe e quem nada vende também os poetas bêbados sabem as freiras de preto sabem e as de marrom também os namorados quentes sabem os mal-amados também quem diz que ama sabe quem diz o que ama sabe quem diz a quem ama sabe numa hora dessas, tarde, todos sabem ou deveri...