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Um conto de Edelson Nagues

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Lia e Bia  Como se não bastasse eu ter que aguentar essa safada da Bia transando embaixo do meu nariz, literalmente, e ainda por cima com esse odiento do Gaspar, agora descubro que a cretina está armando pra mim, querendo me matar . Sim, me matar, porque a cirurgia vai sacrificar uma de nós duas, embora ela negue isso. Mas tenho certeza de que essa dissimulada está dando um jeito pra que a cabrita expiatória seja eu, lógico. “O médico disse que os novos exames mostraram que dá pra separar os órgãos sem prejuízo nem pra mim nem pra você. Menos o coração... Um deles é atrofiado e não aguentaria sozinho a carga de um corpo. Por isso, uma de nós vai precisar de um transplante.” Pois é, transplante... É aí que mora o perigo. Adivinhe quem vai depender da porra de um coração novo. E o doador, como encontrar? E ainda tem o risco de rejeição... Por isso ela tratou logo de seduzir o idiota, dono dessa espelunca falida com o irônico nome de Gran Circo Mundial, que vai bancar a operação. Os d...

Cinco poemas de Edelson Nagues

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Estio Quando a palavra gera na boca [sobre o solo rachado da língua] o cascalho do silêncio, as engrenagens de um tempo de estio estrangulam metáforas e risos entredentes. Urbe A cidade, espessa [sístole e diástole]: entropia urgente. Motores e corpos latejam desejos no fumo dos becos. Há ranger de ferros, de ossos e de dentes na junção dos díspares. Um olhar caótico depara o concreto que empareda o medo. As palavras-pássaros jamais se capturam nas gaiolas-mentes. E bocas vorazes engolem silêncios e pastéis de vento. Frêmitos no sexo: um vômito cíclico na pétala aberta. Átimos de dor reprisam-se em seus eternos fragmentos. E nenhuma placa aplaca o desnorte da turba que sofre. A cidade-esfinge: máquina que mói putas e poetas. Caudal Singro o rio multifário das verdades ocultas, das hordas dissimuladas desses homens absurdos...