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Cinco poemas de José Sóter

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O que vi naquele momento? A cena é sempre a mesma A mãe Semblante Frida Carrega o bebê O pai fuma Sem ao menos  Olhar para os mesmos Sem dó Não adianta chorar baixinho Porque estamos em dó/r maior Fascinação!!! E no poema  Cada sílaba, nota Cada nota, sílaba E na canção Várias notas, uma sílaba Tudo cabe no poema Quase tudo cabe na canção Ritmo, melodia, harmonia? Só encontro numa roda de samba! Eu te amo. Sou seu playback. Música guspel Guspo no feminicídio Guspo nos homofóbicos Guspo nos machistas Guspo nos autoritarismos Guspo nos fascista Guspo nos fakenews Guspo no estuprador Guspo no desmatador Guspo no capitalista Guspo no falso profeta Guspo no oligopólio Guspo na manipulação Guspo na alienação Guspo no bolsominion Do coração Vivo em vastatina Sobrevivo em maleatos Reajo em selozok E navego em prevent 100 Divirto-me com D três Fortaleço-me com ômega três E vivo com cerveja ANÁ/FORA Ana fora bem nascida Ana fora bem criada Ana fora bem formada Ana fora bem sucedida Ana ...

Cinco poemas de Jorge Amancio

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EMPÁTICO 1 Com o sapato folgado uma flor na mão um pingente carmim desenhado na testa, correu para abraçar o pai. Carpido com um soco, um braço fraturado e lagrimas mudas   (meninos não choram) a dor do macho a sete chaves 2 Ao entrar no elevador os brancos diziam: fora daqui. Na sala recém-comprada no sétimo andar  um negro se tranca  no escritório conta até dez e soluça antirracista  (chorar é empático) lágrimas barbadas morfinizam a dor 3 Em volta do pau (egóicos paranoicos ilógicos) violam o ventre  o vento e a verdade. 4 Nos olhos um brilho fálico,  lágrimas aprisionadas nascem corruptas violentas sangrentas e não aceitam a derrota (homem não chora) lágrimas nascem em corpos mulheres O PELE DE VIDRO no céu purpúreo  os pássaros vítreos ) arco-íris em voo, saíam  das chamas refletiam  no preto do asfalto o ballet do fogo no largo do paysandu uma cratera vulcânica iluminava a igreja dos pretos  o quilombo de vidro derretia o aço ...

Quatro poemas de Noélia Ribeiro

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ELIOTEMPO O tempo futuro de Eliot cinge passado e presente. Não pressupõe a espera, esse monstro devorador das noites e das intuições. O futuro aprisiona a todos como se fôssemos ladrões da hora encarcerada na caixa de aviamentos. Que desenho faremos com a linha obscura que atravessa as veias do calendário? Pagaremos para ver a costura  do tempo na malha do nada? O futuro mostra-se muito caro. FOME atirou as moedas do almoço (pela volta de seu homem) no abastado e mágico poço e foi trabalhar com fome I CHING EM 2020 Pelo olho mágico, vejo o teto encostar na cabeça dos velhos em genuflexão; o cansaço de nada vingar-se dos jovens que violam as saídas de emergência. Avizinho-me do sonho e parto, com as três moedas do I Ching, no ímpeto de desvendar o hexagrama em tuas costas. A raposa atravessa a grande água. Os corpos celestes movimentam-se. Pelo olho mágico, tu me vês atrás da porta. O mundo sem sentimento perdoa nosso inviolável abraço antigo. As moedas ficaram no poço. O desejo, c...