Cinco poemas de Matheus Bibiano Branco
Surrealista Os passos lá fora Daqueles que estiveram aqui. O vaso com o anagrama Emite o resto de falas Ainda, assim, presentes; Nutro-me da embriaguez Tão sólida de arte, E a mão que o moldou Faz trincas em meu pensamento: “Como são vivos os antigos.”. As pálpebras cobrem O corpo coberto de maresia; É dar corda ao horizonte Pra ele ir despertando Com testa e gema. Presídio na Avenida Cruzeiro do Sul Os pavilhões deitaram sem piedade, E assim que esse corpo de concreto Deitou sua costa de poeira e ruínas, Homens deitaram-se bruscamente. Se antes, se depois, pouco importa: Os homens deitaram sem temer As noites de ratos, o salitro, o artigo, O guarda sem visão da marulha. E as correntes dos ventos vindos Da linha do Equador, da Amazônia, Passaram pela continuação dos furos Nas paredes, nos dentes, nos homens. Mas se deitaram tortos assim, Fez-se pleno e indiferente O medo que se me...