Quatro poemas de Wélcio de Toledo
Ampulheta já sei não tenho muito tempo o mundo se esvai pela tinta maldita da caneta de fonollosa e eu de carona com rimbaud também vou e se vai não deixa rastros a vida e quem fica não ressuscita fantasmas pois tem mais o que fazer a vida castiga quem tenta a fuga e fracassa prefiro o salto mergulho abissal na ampulheta fundo bem fundo em busca do início de tudo só que o tempo é de estiagem não consigo ir além da margem Candangos anos sessenta modernidade que se inventa na boleia bandeirante aterrissando nos platôs carpidos do planalto central é muita peia de poeira retirante é muito chão muita solidão na boleia é muita gente frio cortante feito pio de seriema a cidade há de lamber suas feridas os vincos da velha mesa agora desenham marés recolhidas chamam a atenção para um horizonte que insiste em perturbar pela pura falta de existência gotham city esquadrinhada pelo ...