Quatro poemas de Ana Maria Lopes
Joaquín Sorolla y Bastida (1863-1923) - Swimmer, Jávea (1905). A DEUSA Quando deus adormeceu ela tomou conta de tudo Deusa para todo serviço lava, passa, cozinha, dá referência Enquanto ela ordena o mundo cuida do código camponês e traduz o chão, o mar começa a ser mar dentro dela Úmida para servir, ela fala com peixes brotam-lhe escamas Na cama vê o dia aparecer sem projeto ou esboço Para ela a vida se desenha naquilo que se chama fundo do poço CONSCIÊNCIA São apenas olhos aqueles que me olham e não me amedrontam São pontas de um tempo que não reconhece futuro e o passado é apenas a geometria do escuro. E mesmo que não conheças o mês de junho, deixe a mala pronta, rasgue os rascunhos, incinere os sapatos e que tua voz esteja firme para quando deixares para trás O rebanho que te oprime. E OS CAVALOS A luz ficou guardada trancada dentro deles enquanto a noite se fazia labirinto Para sair era necessário navalha...