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Cinco poemas de Theo G. Alves

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o idioma secreto   quantas letras são necessárias para que eu escreva seu nome?   em verdade, quantas letras são necessárias para que você me ouça chamar seu nome enquanto o escrevo?   quantos gestos de amor quantas saudades infinitas quantas pedras dos muros de israel são necessárias para que você me compreenda? para que mensure a distância de minha estrada a densidade de meus ossos?   quantas mãos precisarei estender para que você atravesse comigo este abismo de silêncios e os negrumes das cavernas mais antigas?   eu digo a você: venha, mas não sei em que idioma secreto você compreenderia minha voz.           vi tão pouco do mundo   vi tão pouco do mundo   minha geografia está emaranhada entre o barreiro das almas e a rua do brejo   é tão pouco miúdo   mas é o que tenho tudo o que tenho e trago   ...

Um conto de Theo G. Alves

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por que não enterramos o cão? quatorze foram os anos em que ela esteve em nossa companhia. nos últimos meses, o peso de seu corpo parecia maior que a disposição de suas patas e deitava-se por toneladas sob a goiabeira. a coleira e a corrente a limitarem-lhe os movimentos e o sol a castigá-la sobre o pelo. deixou-se morrer mais do que morreu. cansou-se e foi parando de funcionar aos poucos, como um relógio a definhar cada vez mais lentamente às últimas voltas da corda. não se levantou mais. e só descobrimos sua morte após dois ou três dias, a julgar pelo cheiro e pelas moscas que se começavam a juntar. quatorze anos findos sem dignidade. ao menos, arrefecia-me o peso da culpa pensar que os cães não se importam com dignidade e a vida divide-se em estar vivo ou não. invejo os cães que vivem sem arrastar o peso do passado e sem antecipar a apneia do futuro. depois de quatorze anos, o cão estava morto e isso era tudo. o vizinho encarregou-se de levá-la até a pont...

Três poemas de Theo G. Alves

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sobre o papel escuro desta madrugada eu não sei quanto de solidão e silêncio compõe a vida. sei apenas que 92,6% do corpo de um homem é constituído de aço e esperança - assim como sei que magnésio é palavra sem uso para um poema. eu não sei quanto de solidão e silêncio compõe a vida. sei apenas que há espaços para deus na memória e na agonia - embora haja muito pouco de deus no amor e na felicidade. eu não sei quanto de solidão e silêncio compõe a vida. sei apenas - e isso é muito pouco, admito - que é neste silêncio e nesta solidão que se desenham as notas de miles davis os versos de fernando pessoa o cinema de wim wenders sei apenas - e isso é muito pouco, admito - que é neste silêncio e nesta solidão que martelo estes versos dormentes dobrados à força sobre o papel escuro desta madrugada. uma tragédia de pequenas proporções o cansaço está entranhado nos múscul...