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Quatro poemas de Ronaldo Cagiano

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ÓCIOS DO OFÍCIO        Às vezes o poema é esse lugar sem nome.                                 José do Carmo Francisco               O que pensam as palavras do poeta entalado entre versos que não vingam?   Sintomas do poema insurgem contra a difícil travessia do deserto branco da página.   E a trágica embocadura de um lápis na fadiga dos dedos alimentando a insônia na vã procura enquanto a poesia não vem e sou nave ancorada no vazio.     Entre um verso cansado (escondido num baú precário) e adjetivos em fuga (sobras no espólio dos dias) há uma sílaba atroz que me inquire, com inefável tirania:   Dor.           MEMORIAL DO ANON...

Seis poemas de Ronaldo Cagiano

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REGISTRO Nesse tempo de absoluta dissolução sou contaminado e salvo pela poesia, antídoto contra o veneno dos dias Já não me importam a falta de paciência do motorista os corações duros dos auditores da Receita a avidez usurária dos bancos a tempestade de ofensas o parlamento acanalhado o roubo nas estatais a queda do PIB a crise do euro os disparos de Kim Jong-un os disparates de Trump a poligamia de Jacob Zuma a saliva farisaica dos evangélicos a transgênica autoproclamação de Guaidó os lacaios torquemadas da Lava-jato e outros coveiros da latinoamericanidade Meus versos não estarão em repouso como a indolência que caminha passo a passo no ritmo de todas as coisas Vou de mãos dadas com o verbo e com sua pá,                        lavratura adestrando o terreno infértil ...