Quatro poemas de Ronaldo Cagiano
ÓCIOS DO OFÍCIO Às vezes o poema é esse lugar sem nome. José do Carmo Francisco O que pensam as palavras do poeta entalado entre versos que não vingam? Sintomas do poema insurgem contra a difícil travessia do deserto branco da página. E a trágica embocadura de um lápis na fadiga dos dedos alimentando a insônia na vã procura enquanto a poesia não vem e sou nave ancorada no vazio. Entre um verso cansado (escondido num baú precário) e adjetivos em fuga (sobras no espólio dos dias) há uma sílaba atroz que me inquire, com inefável tirania: Dor. MEMORIAL DO ANON...