Sete poemas de Luís Perdiz
VENTANIA pelas florações do milagre pelos órgãos do universo pela paixão pré-histórica pelas espécies das luzes a árvore dança irriga a carne dos deuses e o sangue do sol avigora o vulto da onça umedece a força feminil dos frutos em sua adolescência boreal entre pétalas viajantes carrega a cura da própria voz ESTADIA sempre na sua casa os vitrais se entrelaçam as teias desnudam o tempo as peles se dissolvem meu alicerce mais valente assiste o horário PLAYGROUND o que mais me relevava naquele playground vazio era o silêncio igual ao meu infância fantasia atravessada merthiolates colos contrastes amigos imaginários todos eles filhos únicos ensimesmado pressentia sons de macondo outras partes longas indefinidas longe do baile de minotauros LENDA juntos no fim dos tempos povoado por guepardos e mediterrâneos...