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Sete poemas de Divanize Carbonieri

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RUMO piso em pedacinhos roxos flores em forma de sinos destroços menores dos meus desatinos desço a rua rumino penso comigo pega a tua senda toma o teu rumo o teu caminho suspenso interrompido reencontrado entremeado de púrpura   ALUVIÃO trafegar pelas linhas feito a seiva que se translada pelos veios lenhosos dos troncos na selva de folhas verdes entrelaçadas pelo silvo do vento perfurado por espinhos afilados transitar pelos versos feito a serpente que se insinua pela vala funda atravessada de lama espessa em que salvínias fecham a superfície em vários filamentos e lâminas tropeçar pelas palavras feito a aluvião no leito fluvial transportando sedimentos em sucessão atravancando as enseadas escavando os pontais transtornando o fluxo lento da travessia FOTO para o homem morto diante da porta do poeta morto certo dia em Baltimor...

Cinco poemas de Ines Lempek

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Caleidoscópio A tempestade abre a janela. O mundo troca de roupa. Pedaços de paisagem lá fora caem um por um. Estilhaços de final de tarde escorrem pela trilha do tempo.  A preta noite vem. No fundo do olho, um caleidoscópio. A alma agora veste a poeira lunar. Muito frio aqui dentro. Venha logo. No passar das horas Já é noite alta os sapatos largados  na entrada da casa junto ao peso do dia no exigir dos tempos esfrega as mãos  muitas vezes tentando lavar a alma antes de dormir.  Matriz Vidas suspensas tempo indefinido ruas desertas corpos em alerta asas fechadas janelas abertas planos e desejos sonhos guardados em caixas de segredos estátuas de gesso nuas em vitrines vazias nem selfies nem purpurinas nem coelhinhos. Entre mundos Num fechar de olhos o mundo de dentro abre-se à tela  de pensamentos  às vezes em bandos enxames de abelhas pássaros em rev...

Cinco poemas de André Merez

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esse aí o presidente lacaio é súmula do néscio e aio da plutocracia arroto à mesa nojo suportado pela fidalguia e tem do povo o mesmo asco que seus amos têm de estar em sua com- panhia o poeta e a lira Eu tenho a Lira, queira ou não queira, ela está lá. Perdoem-me os mal humorados e os satíricos por determinação. Gritem os seus gritos, é tarde, tenho pressa. Uma Lira me aguarda, talvez não edulcorada, mas, sim, é minha Lira. Nasceu comigo, presa entre a ínsula e o estriado, exatamente no meu prosencéfalo. Mas ela soa inadvertidamente, quando percebo está tocando, que se há de fazer, camaradas? É a Lira! É a Lira! a draconiana                      a Rafael Braga Um Rafael, não o de Sanzio, não o da escola de Florença, mas o ausen...