Cinco poemas de Jonas Pessoa do Nascimento
ANTROPOFAGIA Urra dentro de mim um bicho que me coiceia o peito e o fere como a um animal abatido na caçada. Os lobos uivam sob a lua cheia, minha pele, descamada, com a carne pronta para consumo. A umidade enfraquece o ânimo, e à tarde, o bicho embrabece. O sangue coalhado na vasilha é o petisco servido no cair da noite. Os que se aglomeraram para descanso remoerão os restos da matéria. CANÇÃO DE PEDRA A noite se despe, agora é a fadiga. Voltam os homens mastigando os bagos do abismo de seus medos. Gritam motores - mentes automáticas – dilacerando o sossego da ilusão do repouso. A sombra se escondeu. Amanhã haverá sol, nova esperança, de se despir da canção de pedra que ecoa como fardo deste momento. LIGAÇÃO Sou intransferível de mim. não guardo segredos, não trago mágoas comigo. Vivo meu atual, se sou indecente, é falácia des...