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Cinco poemas de Jonas Pessoa do Nascimento

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ANTROPOFAGIA Urra dentro de mim um bicho que me coiceia o peito e o fere como a um animal abatido na caçada.  Os lobos uivam sob a lua cheia, minha pele, descamada, com a carne pronta para consumo. A umidade enfraquece o ânimo, e à tarde, o bicho embrabece. O sangue coalhado na vasilha é o petisco servido no cair da noite. Os que se  aglomeraram para descanso remoerão os restos da matéria.  CANÇÃO DE PEDRA A noite se despe, agora é a fadiga. Voltam os homens mastigando os bagos do abismo de seus medos. Gritam motores - mentes automáticas – dilacerando o sossego da ilusão do repouso. A sombra se escondeu. Amanhã haverá sol, nova esperança, de se despir da canção  de pedra que ecoa como fardo deste momento.     LIGAÇÃO Sou intransferível de mim. não guardo segredos, não trago mágoas comigo. Vivo meu atual, se sou indecente, é falácia des...

Seis poemas de Sandrio Cândido

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Origem quando nasci eu não era negro ninguém botou reparo na minha cor nenhum anjo acudiu para avisar do meu destino era agosto só a seca sobrevivia o pai emocionado embrejou os seus olhos quando a bisa gritou é saudável o menino outro cortador de cana- sentenciou o vizinho - valha-me deus - filho meu vai estudar bote fé no que digo - deus te ouça respondeu a mãe sorrindo tudo era seca nem água pro gado tinha é sina inescapável gritou o vizinho também ele entendia   das rodagens percorridas pode inté sonhar mas é sina cumpade nenhum anjo apareceu para cortar meu umbigo e dias depois o pai teve que partir era preciso garantir o leite da família mas porque nasci ao menos naquela tarde no peito da mãe a esperança foi coada e o mesmo aconteceu quando nasceram minhas irmãs e eu ainda não era negro nem sabia coisa de poesia Desconstrução por ...