Postagens

Quatro poemas de Adriana Lisboa

Imagem
DESMAPA Por um tempo habitar um não-tempo (o que ainda há a mapear? e que interesse há            convenhamos em saber que chão é este?) por um instante não tentar desatar estes nós        cegos os meus (ou serão os teus?) dedos no emaranhado do acaso numa dobra de um tempo-não. MEU AMIGO Meu amigo às vezes se diz vencido ilhado endividado aflito taciturno furioso acossado prende a respiração sem saber que país o nosso          ou quando          ou como mas ainda assim sai à rua e o mundo se dobra aos dentes explícitos que ele arrisca por baixo do veludo do batom. ALPINE, TEXAS Meu corpo e o seu à deriva no sono num quarto de hotel em dois cantos da cama por demai...

Cinco poemas de Ana Elisa Ribeiro

Imagem
Para quando nunca I quando eu ficar poeta famosa vai chover canivete de entalhar só palavra II quando eu for poeta famosa podem me internar num frontispício [Os poemas I e II de ‘Para quando nunca’ foram publicados, em versão levemente alterada, em  Xadrez  (Scriptum, 2015)] Brechó de poeta tenho um baú inteiro de ironias sem uso Refinaria das cento e poucas páginas que escrevi no último ano das centenas de versos que guardei passados doze meses hoje só penso que possam s’evaporar como água salgada deixando o rastro de um cristal a ser refinado [o poema ‘Refinaria’ está, também levemente diferente, em  Álbum  (Relicário, 2018)] Autoajuda vá atrás de mais sem cansar se achar que não deu tente de novo mais e mais e de repente se ausente . . . respire se calha...

Cinco poemas de Patrícia Claudine Hoffmann, ilustrados por Cy Claudel

Imagem
Dos Resgates Bendita a idade das suturas se a água fratura suas datas. Percorro os ossos das cascatas feito quem resgata de si mesmo o código de um ofício, no córrego que passa por dentro do cálcio, do ócio proibido, entre os pés do precipício. Trôpego. Antídoto. Trafego uns princípios de louvor e eles afloram no clamor do instinto, em labirintos musicais de um cais infinitamente distinto dos demais. Um cais já com muletas. Navais. (E as borboletas nos varais recolhem a polpa dos orvalhos. Além da culpa. Dos não-itinerários. Embrulham nas asas o pólen de uns rosários em flor aberta pétala por pétala nos calendários.) Descansemos dos sentidos. Anti-horários. Antigos. Descansemos assim que chegarem os querubins para o restabelecer das águas quebrantadas. Cada água tem seu exílio. Auxílio. Apelo. Com seus cabelos em véu de espuma e espelho, uma a uma... ainda prece. Acresce-...